Pessoas queridas, após 3 meses e meio do
nascimento do Rebento venho aqui contar como foi! Aviso aos navegantes, este
post contém imagens de uma mulher parindo, se você não tem estômago para isso,
melhor sair do barco agora! hahaha
A publicação aqui no blog será retroativa,
mas, comecei a escrever no dia 02/jan/2012, venho aqui com toda a minha
cara-de-pau atualizar o blog e compartilhar com todos vocês a viagem mais
alucinante da minha vida! Somente hoje 05/jan/2012 eu publico o relato, após
escolher cada foto cuidadosamente. O engraçado é que esse relato foi gerado com
a mesma duração do início do meus pródomos até o parto, exatos 4 dias.
Logo mais os relatos do papai e da minha
amiga-doula Talita.
Então, embarquem comigo nessa aventura e
veja como é gostoso e gratificante vencer cada desafio, cada subida, descida,
cada pedra, escalada e finalmente chegar ao topo após toda a dificuldade do
caminho e ficar completamente extasiado e maravilhado com a vista que se tem lá
de cima!
Vamos começar pela preparação, então?!
Desde as 38 semanas meu corpo já dava
sinais sutis que o momento de conhecer o meu bebê se aproximava.
Contrações de treinamento, dores na lombar
e umas pontadas na perereca lá embaixo que me faziam pensar
que o bebê escorregaria a qualquer momento!
Contei a vocês no post
anterior sobre o início dos pródomos! Sim, ainda não era o TP
(trabalho de parto) efetivo, mas, já anunciava o que me esperava! Sempre achei
que fosse ter um parto quiabo, de dia, no quarto a direita da CPS que é super
iluminado, na banheira... expectativas à parte, muitas coisas aconteceram como
imaginei, mas, olha a realidade dando um tapa na minha cara e mostrando
novamente que não temos controle sobre NADA!
Bom, do dia 14 para o dia 15 de setembro o
negócio começou a ficar bem interessante, sabe?! Contrações de 2 em 2 minutos
durante a madrugada, ritmadas e potentes... Pensei: - Jesuis é hoje! Hoje eu
conheço o meu bebê, hoje ele estréia nesse mundão! Hoje eu terei a maior
surpresa da minha vida! Será menina ou menino?
E durante a madrugada eu gritei
horrores! vocalizei bastante durante as contrações não sei como o
David, Talita e Aimée e minha irmã Helô conseguiram dormir, fiquei assim um
tempão até que lá pelas 2 da madruga resolvi que deveria ligar para a CPS,
recomendaram que eu descansasse bastante e que esperasse mais um pouco. Lá
pelas 3:40hs me deu à louca e quis ir à CPS para ser examinada. E adivinhe os
mesmos 1,5 de dilatação, colo médio para fino centralizando. Fizemos o
cardiotoco e deu uma contraçãozona! A EO Priscila me consultou se eu desejava
fazer a internação, que estava evoluindo bem e que eu já estava em franco
trabalho de parto! Abri um sorrisão por dentro, daqueles que você nem consegue exteriorizar
de tanta ansiedade! Resolvemos ir para casa, fazer uns exercícios para ver se
engrenava porque eu não queria correr o risco de ter uma internação precoce e
resultar em uma cascata de intervenções desnecessárias.
Chegando em casa a coisa foi estacionando,
o David já ficou em casa comigo. Resolvi dar uma cochiladinha já que estava sem
dormir mesmo. Comemos e continuei durante o dia o indo para a bola no chuveiro,
para a cama e dando umas andadinhas pelo quintal... Mas, o que eu mais fiz
mesmo foi choramingar, cagar, mijar, ir ao banheiro com uma
freqüência absurda. Tive muitas massagens durante o dia feitas pela Helô,
Talita e o maridón David e tapinhas carinhosos na pança da minha afilhada
Aimée.
Era impressionante como as contrações
ficavam mais intensas quando eu andava e ficava com o marido, mas, eu estava
tão cansada, fiquei pensando que seria melhor se levasse a contração na flauta
e guardasse energia para o expulsivo. Fiquei horas no chuveiro e choramingava
que queria uma banheira/piscina para poder ficar imersa na água, deu a louca de
novo e peguei uma bacia daquelas de roupa e cismei que cabia dentro dela.
O David ficou quase o tempo todo comigo,
perguntando se precisava de algo e tals. Mas, todos ali estavam bem cansados e
se eu tivesse sono também dormiria, mas, eu não conseguia dormir direito e
ficava irritada porque os outros estavam dormindo, me senti um pouco
abandonadinha... Mas, aí aparecia uma gordelícia e fazia uns grunidinhos para
mim e sua super-mamãe-doula-amiga vinha me confortar e foi ela que muitas vezes
me trouxe para a terra, falou comigo e me confortou. Minha irmã por sua vez me
mimou bastante e o David me trazia para a realidade e me dava umas broncas por
que eu deveria estar ajudando o bebê a nascer, parar de corpo mole e ajudar o TP
a engrenar. Comecei a ficar preocupada e ligamos novamente para CPS e decidimos
ir até lá novamente (eu achava que já seria a hora). Chegando lá as EOS Thais e Cris nos atenderam e
minha pressão estava fora da normalidade, alta,então elas recomendaram que eu
ficasse em observação. Fui para o quarto e pedi o almoço que foi servido em
seguida, ligaram o som com músicas bem relaxantes (sons de água, natureza, não
lembro direito) o David ficou comigo o tempo todo e ficou fazendo cafuné e eu...
DORMI!
De apagar mesmo, estava super
cansada e acabei dormindo. Depois do período de observação a minha pressão
normalizou, acho que subiu porque cheguei lá achando que estaria com pelo menos
4 de dilatação e eu continuava com os mesmos 1,5! Fiquei com a cabeça cheia de
caraminholas pensando que meu corpo não estava funcionando direito!
Durante todos esses dias EU pedi que
falassem que estava tudo bem, que o bebê ainda nem dava sinal de chegar, por
que eu queria paz e sossego neste momento. Acabou que causou mais tumulto
porque toda hora alguém ligava para saber algo... Até que eu desliguei todos os
telefones.
Pois bem, foram me examinar novamente e no
cardiotoco deu CBF, traduzindo caimento dos batimentos fetais, mas, só
acontecia durante a contração, eu fiquei assustada, as EOs orientaram que eu
fosse ao Hospital do Convênio fazer uma avaliação ou ao meu GO e que se um
médico não atestasse que era seguro eu fazer o parto na Casa de Parto eu não
poderia parir lá.
Meu mundo caiu e eu pensei: FO-DEU!
Vou cair numa cesárea depois de tudo, vou
cair na faca!
Tomei as rédeas da situação e começamos a
avaliar o que seria possível fazermos. Se fôssemos para o Unimed Santa Helena,
que era meu plano B com certeza seria uma cesárea de emergência devido ao CBF,
por que provavelmente tinha uma circular de cordão e blá, blá, blá.
Ligamos para o Dr. Alberto que orientou
que fôssemos ao Hospital do convênio fazermos um novo cardiotoco, pedi pra ver
se ele poderia atender-nos e ele disse estar em um parto que seria mais seguro
ir ao Hospital. A Talita teve uma luz e ligou para a Ana
Cris (parteira máster-blaster-plus-advanced de SP, fundadora do GAMA e da lista
materna_sp, da qual participo), pois bem, ela nos orientou a irmos ao Hospital
Estadual Vila Alpina que é o Hosp de referência e atende aos casos de
emergência da CPS.
Lógico, por que não pensamos nisso antes?
Só que a esta altura já estávamos na Salim quase na altura do Tatuapé indo ao
Sta. Helena. Resolvemos voltar, aí começou “o inferno!” o David ficou
desesperado, achando que o bebê morreria na minha barriga e saiu dirigindo
loucamente. Sabe aquela cena de Cinema do pai saindo feito louco, cometendo
barbeiragens, trafegando pela calçada, andando na contramão e furando o farol
vermelho?! Pois é minha filha! E eu no banco de trás, mexendo no seu cabelo e
falando para ele ficar calmo, por que se realmente nós corrêssemos risco teriam
me enviado de ambulância ao Hospital, e ele nem sequer me respondia, visualiza
o carro com um pai cego de desespero, minha irmã, a Talita com a Aimée (bebê) e
eu grávida. Chegando lá fomos direto para a emergência, enquanto minha irmã e a
Tata estacionavam o carro. Fiz a ficha super rápido e subi para o
andar da Maternidade, no elevador encontramos uma das enfermeiras que foi uma
graça, disse que tudo ficaria bem e nos tranqüilizou. Aí começou a fase
complicada, esperar, esperar... O atendimento, a GO de plantão estava numa
cesárea de emergência. Depois de chorar, andar feito pata choca, ir ao banheiro
inúmeras vezes... Chegou a minha vez, e ao passar no atendimento inicial,
fizeram um toque e a amnioscopia (exame para ver a cor do líquido amniótico) e
um belo de um sermão sobre ser atendida na Casa de Parto que era uma loucura,
que não é seguro por que não tem médico, nem UTI, nem pediatra e tals. Fui
fazer novamente o exame e então me deram glicose na veia e pediram que eu
aguardasse e avisasse assim que o soro tivesse acabado para iniciar o exame.
Comigo tinha outra grávida de 39 semanas que não parava de falar um segundo
sequer, e eu já havia falado que estava exausta e precisava dormir um pouco...
A criatura ficou quieta por 10 segundos e depois voltou a falar e eu olhava
para ela e comecei a imaginar a cara dela virando um papagaio gigante. Quando a
enfermeira me chamou para fazer o exame eu já estava desesperada quase gritando
que tinha chegado primeiro, por que queria sair logo dali. Fiz o exame duas
vezes porque na 1ª os BCF haviam caído para 30 durante a contração, mas, no
segundo deu uma queda, mas, o bebê se recuperou logo em seguida a enfermeira
até chegou a comentar que poderia ser uma circular de cordão. Passei novamente
na GO recomendou que eu não voltasse mais na CPS de forma alguma, que eu
deveria ser atendida no Vila Alpina que eu deveria retornar no sábado de manhã,
já que lá eles também faziam parto humanizado. Sorri e acenei para a médica e
encenei que voltaria com certeza no sábado, que só os médicos poderiam me
salvar daquela Casa de Parto, cruzes!
Saímos de lá mais tranqüilos e lá fomos
nós encarar novamente o percurso de carro que é a PIOR coisa durante uma
contração. A logística foi terrível, pois minha irmã tinha ido para casa levar
a Talita com a Aimée e depois foi nos buscar, tentei dormir, mas, eu estava com
uma dor fenomenal na lombar devido a uma inflamação, acho que em uma das
massagens deu um mau jeito e o trem tava doendo muito, doía mais que a
contração!
Passei a noite gemendo e choramingando,
falei várias vezes que não conseguiria, fiquei deitada e nas contrações mais
punks puxava os joelhos em direção a barriga ou ficava de lado e puxava uma das
pernas o David ajudava. Lembro de a Talita vindo ficar comigo durante a
madrugada e dizendo que eu era capaz, que meu corpo estava trabalhando para
isso que eu precisava me entregar... E dizia que eu era forte, que já tinha
passado por dois dias que não desisti antes por que iria desistir agora que
estava tão perto de conhecer o meu bebezinho?! Isso me enche de coragem ainda
hoje, enquanto escrevo os olhos ficam mareados de gratidão, não terei nunca
como agradecer à Tata por ter se deslocado de Araraquara, trazido a minha
gordelícia e quase arranjado encrenca com o marido só para fazer parte deste
momento.
Na manhã de sexta eu não queria mais
comer, estava meio enjoada, a Talita me deu mamão com mel na boca e me fez
comer mesmo à contra gosto. Fiquei o dia todo com as contrações bem
fortes, mas perdendo o ritmo, e segui a mesma tríade bola de pilates, chuveiro
e cama... O David foi super prestativo e comprou uma piscininha para mim, e ali
eu fiquei, estava com muita dor em algum nervo da lombar, doía pra cacete demais e a água quentinha aliviava
bastante, isso foi de tarde para noite.
E aí foi uma maratona de colocar 4 panelas
ao mesmo tempo no fogão para esquentar a água por que o chuveiro não dava conta
e precisava manter aquecida o tempo todo, o meu querido jogava água nas minhas
costas durante as contrações e não deveria ser muito legal de se ver já que a
única posição que me aliviava era ficar em quatro apoios com a cabeça inclinada
para baixo.
Depois, ele me confessou que era “a visão
do inferno”, hehehe.
![]() |
| Quanto mimo! Sopinha do marido e mamão com açúcar! |
Eu dormia na piscininha de sonhar, mas,
sentia muita, muita dor na inflamação nas costas. Tarde da noite foram comprar
uma pomada para a inflamação natureba, liguei para a Tracy e pedi pelo amor de
Deus que viesse em casa, se poderia fazer uma massagem em mim. A Tracy é
fisioterapeuta e também madrinha do Gohan, liguei era umas 20hs, ela e a Jully
chegaram lá pela meia-noite, não lembro direito e como a massagem ajudou! A
Tracy ficou super receosa, pois nunca havia feito massagem em uma grávida em
trabalho de parto e tinha medo de estimular as contrações e eu:
- Manda ver! Se
estimular vai ser ótimo, assim esse bebê nasce logo!
Passei a madrugada na piscina e dormia de
sonhar, acorda quase me afogando na água, o pessoal aqui se revezava para ficar
comigo. Mas, foi o David quem realmente ficou comigo, mesmo caindo pelas
tabelas de tão cansado, mesmo com todo o meu mimimi, ele estava lá. Aproveitou para dar umas broncas em mim
que eu deveria andar, que toda vez que eu tinha que andar nem que fosse uns 2m
eu tinha uma contração grudada na outra, que o TP tava estacionando de tão
relax que eu tava na piscina...
Mas, eu não queria sair de lá!
[Hoje eu consigo perceber que tudo isso,
toda essa manha era a minha maneira de me esquivar da situação, eu estava com
muito medo do desconhecido, medo de parir, medo do expulsivo, medo de me tornar
mão, medo de não dar conta, medo de cair numa cesárea. Eu estava com tanto medo
que esse medo intensificava a minha sensação de dor, parece meio maluco mais a
minha dor era muito mais psicológica e emocional do que física, tirando a
inflamação dos infernos!]
Na manhã de sábado eu vi pela janela do
banheiro o dia nascer tão lindo, ensolarado, cheio de vida que eu também
comecei a mudar e pensei: - É hoje, tem que ser hoje! Eu estou te esperando
bebezico, estou pronta, pode vir! Sai desse barrigão que eu quero te conhecer
aqui do lado de fora! A mamãe te ama tanto!
E fiquei curtindo o finzinho de barriga
enquanto o pessoal dormia, tentei fazer um toque (como se eu soubesse), das
outras vezes que tentei não conseguia alcançar o colo e desta vez eu consegui e
senti uma película fininha e algo bem rígido com uma textura de fios... E
fiquei toda animada imaginando que seria a bolsa envolvendo a cabeça cabeluda
do meu bebê, fiquei pensando tomara que esteja pelo menos com 6 de dilatação.
Estava ansiosa porque no dia 17 seria a minha última consulta na CPS, lá eles só aceitam até 41 semanas e 2 dias, dia 18 eu completaria 41 semanas. Estava com receio de ter que usar o meu plano B.
Estava ansiosa porque no dia 17 seria a minha última consulta na CPS, lá eles só aceitam até 41 semanas e 2 dias, dia 18 eu completaria 41 semanas. Estava com receio de ter que usar o meu plano B.
Mas, decidi me acalmar e acreditar em mim,
no meu bebê e no meu parto, que seria o melhor que eu poderia ter. Tomamos um
café eu comi bem pouco. A minha casa parecia uma zona geral,
comida espalhada por todos os cômodos, por que todos tentavam me alimentar.
A essa altura eu já tinha medo de fazer
cocô, com medo que o bebê nascesse no vaso. Pedi para a Talita fazer um toque
ela negou claro e pediu para que eu me acalmasse, pois já estávamos indo a CPS.
Acho que a Helô foi trabalhar e ficamos
pensando na logística de como faríamos para ficarem com a Aimée caso eu fosse
internada na CPS.
E lá fomos nós novamente a CPS, dessa vez
eu xinguei muito menos no caminho, gritei muito menos e fiquei mais quietinha
apoiada no encosto do passageiro, eu estava no banco de trás. Ao chegarmos havia uma gestante em
atendimento e mais uma aguardando e eu comecei a ficar agoniada, fui caminhar
com o David a essa altura estava com o vestidão azul (só o vestido mesmo), todo
manchado, andando feito pata choca e abraçando o David durante as contrações.
Assim que saiu a gestante, me chamaram e
eu estava no banheiro fazendo xixi, fui ao consultório me examinaram e... 4 de
dilatação! E eu fiquei frustrada, a Cris disse que estava tudo normal e que me
internaria já que estava em pródomos havia 3 dias, sem dormir e tudo o mais.
Orientou que eu andasse por 2hs para ver se o TP engrenava de verdade, que eu
precisava me movimentar e ajudar meu bebê a nascer. Mas, olha a surpresa minha
bolsa havia rompido e eu nem tinha percebido! Hehehe! A Cris disse que tinha
sido a ruptura de uma das membranas e que talvez tivesse saído pouco! E eu
fiquei toda animada de novo!
![]() |
| Dormindo de sonhar entre as contrações! |
Fui para o quarto e pedi o almoço já que
ficaria por lá mesmo, isso deveria ser quase 13hs e o David e a Tata foram
comer fora, por que eu achava que ia demorar muito. Eu comi um pouquinho, o
quanto eu consegui, não dava para mastigar durante a contração e eu não
conseguia ficar sentada, comi em pé e durante as contrações e inclinava o corpo
na cama, dava umas mini reboladas. A enfermeira Vilma foi ver se estava tudo
bem e eu pedi para ir para o chuveiro, pois estava com as costas doendo muito,
que eu não iria conseguir caminhar, fui ao banheiro tirar a calcinha com o
super-master-blaster absorvente e vi que tinha Mecônio (Ai, Jesuis e agora?),
novamente as meninas da CPS conversaram comigo com a maior serenidade do mundo
e disseram para não me preocupar que o bebê estava super bem e que iríamos
tentar o PN sem nenhuma intervenção como eu queria.
Fiquei na bola por mais ou menos 1h
pulando, rebolando e deixando a água escorrer pelo meu corpo e levar meus medos
embora, a essa altura o David e a Tata já tinham voltado e me deu a louca que
eu não agüentava mais ficar na bola e fui andar pelo quarto e me examinaram de
novo: 4 de dilatação!
Comecei a ficar desesperada, com raiva do
meu corpo que não estava funcionando direito. A Cris ofereceu ocitocina
sintética (o famoso sorinho) para ajudar a engrenar, pois eu estava tendo
contrações ritmadas, mas, não estavam sendo efetiva o suficiente para dilatar. Lembrei do parto da Talita que ela ficou
horas com o soro e que ela dizia doer 1 milhão de vezes mais do que o processo
natural e eu tive medo de ficar horas e horas com o maldito soro.
Ficamos um tempo nesse dilema, quando o
David me deu forças dizendo que chegamos até aqui e que deveríamos tentar todo
o possível, que eu estava muito cansada e por isso o meu corpo já estava
devagar. A Talita como sempre foi de uma delicadeza ao falar comigo e pediu que
colocassem o mínimo possível, só pra ver se ajudava o meu corpo a despertar
(acho que foram umas 8 gotas por minuto).
Fui colocar o soro como quem vai para o
abatedouro, isso já era umas 15:30hs mais ou menos, as contrações mudaram
muito, mas, não ficaram tão intensas na DOR quanto eu imaginava. Tenho a
impressão que elas espaçaram um pouco, mas, duravam mais tempo. Fiquei na cama
por um tempo e eu dormi, dormi, dormi e acordava na contração. Não lembro se
colocaram música, mas, na minha cabeça eu ouvia algo bem distante, as pessoas
conversando, rindo, me observando, os cliques da câmera... Eu não estava ali,
estava em outro lugar, estava em meio à neblina do caminho. Fui para o chuveiro, mas, não conseguia
ficar na bola então fiquei sentada em uma cadeira com a água caindo na minha
barriga, pedi para o David parar de fotografar, pois queria que ele ficasse
comigo abraçado, mas, eu não pedi isso, apesar de na minha cabeça parecer óbvio
que eu estava demonstrando. Me arrependo (um pouquinho) de não ter pedido e de
não ter mais fotos... Mas, na hora eu fiquei muito irritada meeesmo.
Deu a louca de novo e quis ficar em pé
apoiada na parede e do nada eu decidi ficar de quatro, por que lembrei que esta
posição me aliviava... Abaixei e encostei o rosto no chão, todo mundo ficou
alvoroçado indo buscar um pano e eu não estava nem aí para nada, me joguei no
chão e comecei a choramingar e pasmem, pedi: - Pelo amor de Deus me leva no
Sta. Helena. Esse bebê precisa sair! Isso não está certo, vamos fazer uma
cesárea, eu preciso de uma cesárea! Hahaha é de chorar de rir!
Sei que a Vilma me olhou e disse que eu
estava na Partolândia, na transição, lembro da cara de surpresa do David e da
Talita se entreolhando, pensando se isso era mesmo possível. Tiraram-me do
chão, me secaram e eu fui andando para o quarto e deitei na cama e disseram que
iam chamar a Cris para me examinar, fiquei na cama e dei uma cochilada, a Vilma
perguntou se eu sentia uma pressão para baixo e vontade de fazer força e eu
disse que não, ela insistiu e eu fiz uma forcinha.
![]() |
| À direita serena durante o expulsivo, nunca imaginei que seria assim! E minha cara de aflição naquele "sai ou não sai"? |
A Cris me examinou e disse: - Menina, você
não vai acreditar, mas, esse bebê ta nascendo sozinho já ta no meio do canal!
Talita: - Você dilatou dos 4 aos 10 dedos
de dilatação em 1hora!
David: - Agora não tem volta nosso bebê
está nascendo!
Aí, eu realmente mudei de postura, todo o
meu medo foi embora e com ele a Dona DOR também foi. Parecia outra pessoa,
fiquei super ativa, perguntando se podia mudar de posição e tal. Decidi ficar em quatro apoios, apoiada na
cabeceira da cama, fiz a força, porém eu não conseguia fazer direito. Mudei
novamente semi sentada com a perna direita puxada em direção ao meu corpo, o
David esteve ao meu lado o tempo todo, segurando a minha perna. Fiz uma força e coroou a cabeça, senti uma
sensação estranha, mas, sem dor, a maior aflição do mundo ao ver aquela cabeça
meio dobrada meio dentro meio fora (graças à Talita que foi ligeira e colocou
um espelho para eu ver! Obrigada!). Fiz mais uma força e ainda não tinha sido
suficiente, a Cris protegia o meu períneo e massageava com gaze gelada e
xilocaína. Fiz mais uma força e saiu a cabeça e continuei fazendo sem pensar e
saiu o meu bebê surpresa todinho de uma vez!
Nasceu às 16:29hs medindo 51cm e pesando
3,130kg, um bebezão! Sem nenhuma intervenção desnecessária, períneo integro,
com uma laceração minúscula e superficial.
Assim que nasceu, tiraram a circular de
cordão, limparam rapidamente e ele veio direto para os meus braços, todo
sujinho, tossindo com os olhinhos apertados ainda ligados a mim pelo cordão
umbilical. O ambiente todo ficou ainda mais
iluminado, caloroso e com um cheiro que jamais havia sentido, um “cheiro de
quente”... de nascimento!
Tinha tanta certeza que era um menino que
fui logo dizendo: Bem-vindo, Flávio! Coitadinho nasceu todo cagado! Estragado
feito a mamãe, espirrando!
Fiquei ali admirando a cria, com aqueles
olhinhos apertados onde cabe todo o amor do mundo! Olhei para o David e
agradeci com um Eu te amo e sorri e naquele instante me senti mulher, completa,
plena e nasci como mãe.
![]() |
| E tem como não se apaixonar por esses meninos?! |
Essas 9 páginas de relato ainda são muito
pouco para registrar tudo que vivi durante a minha jornada, foram muitas
mudanças, descobertas e conquistas.
Eu pari, eu sou capaz!
E olha que todo mundo sempre me achou
uma Maria-mole! Sou privilegiada por ter vivido essa experiência integralmente,
plenamente, ativamente em toda a sua “falta de romantismo” por vezes e cheia de
desafios a encarar!
Certa vez publiquei um texto onde dizia
que teria que atravessar uma ponte, um caminho que só eu tenho como descobrir,
um caminho na escuridão rumo ao desconhecido e no momento em que meu pequeno
nasceu tudo ficou tão claro, tão natural, tão simples... e cheguei ao maior
amor do mundo, que ilumina a minha vida todos os dias!
Se eu faria tudo de novo?
Digo com a boca cheia que SIM, só que numa próxima vez
serei mais corajosa, tenho a certeza que enfrentarei a mim mesma com mais
serenidade, por que viver é um processo contínuo de encarar a pessoa mais
exigente que há: você.
![]() |
| Gohan, meu menino, meu pequeno, meu príncipe! |
Obrigada ao meu amor, amigo, companheiro
para todas as horas, que conhece mais de mim do que eu mesma. David, não tenho
palavras e nem como mensurar o que sinto por você e o quanto eu te quero bem, o
quanto sou grata por você dividir sua história comigo e continuar caminhando
avante até o infinito.
Talita e Aimée será que é possível
estreitar ainda mais esse sentimento tão especial e intenso que sinto por
vocês?! Como agradecer à você Tata que veio até aqui só para me acompanhar
nesta jornada, me acudir, me apoiar emocionalmente, com suas palavras, seus
olhares e suas atitudes. Obrigada por tudo, por tomar as rédeas do meu lar, por
estar comigo... Obrigada do fundo do meu coração! Aiméezinha, minha gordelícia,
obrigada pelos “carinhos” na pança, das conversas no estilo pterodátilo com o
bebezico convidando-o a conhecer o lado de fora!
Helô, obrigada pelos mimos, pelas
conversas, pelo segredo, pela cumplicidade, pelo carinho e pelo zelo. Não tenho
como agradecer o que fez por nós! O Flávio tem muita sorte por ter uma tia
assim!
Obrigada Tracy e Jully que vieram de São
Caetano na calada da noite me acudir!
Obrigada aos avôs: Ana e Taka / Edna e
Jersino, por respeitarem esse nosso momento e estarem aqui sempre. Obrigada Fê,
sei que você nos mandou muitas energias em pensamento para que este momento
fosse perfeito, e foi. Amamos muito vocês!
Obrigada AC por toda a orientação e por
ter nos socorrido e dado uma luz no nosso momento de desespero.
Obrigada às listas Materna_sp e a
Partonosso, onde pesquisei muito, li diversos relatos e esclareci muitas
dúvidas, além de conhecer pessoas maravilhosas!
Aos meus amigos queridos que também
geraram um amor enorme pelo nosso “Gohan”, ao pessoal do KK, da EMM,
minhas queridas "Irmãs Mostarda", aos colegas de trabalho
(especialmente a Ale, que é minha amiga do ♥). Especialmente à Lú, Jennifer e Jess, minhas irmãs de
barriga.
A Lari, pelas fotos do barrigón o meu mais
sincero agradecimento e admiração pela sua delicadeza.
Obrigada à todos vocês que participam da
nossa história!
Sei que o relato está gigantesco, mas,
tentei descrever tudo o que aconteceu.
Digam-me, o que vocês acharam?
Mulherada como foi esse momento para vocês?
Ps - Depois, escreverei sobre como o
Flávio foi recebido na CPS e minhas impressões sobre o atendimento.

































